1. Definição
Tipo
(gr. typos, "golpe ou marca
deixada por um golpe; padrão ou impressão") é uma representação dupla em
ação, em que o literal representa, de modo intencional e planejado, o
espiritual.
O tipo
é, portanto, a impressão divina da verdade espiritual sobre um elemento, pessoa
ou objeto literal. Corretamente compreendida e avaliada, a tipologia oferece
uma prova valiosa da inspiração divina. Na realidade, trata-se do programa
redentor dos séculos, habilmente entretecido pelo próprio Deus na trama e na
urdidura das Escrituras.
2. Extensão
As Escrituras não são, em
sua totalidade, igualmente tipológicas. Elas oferecem suas próprias indicações
das passagens que permitem interpretação tipológica. Hebreus, no NT, testemunha
da qualidade tipológica concentrada do Pentateuco e de Josué. Em 1Coríntios
10.11, Paulo oferece uma base neotestamentária para a rica tipologia do
Pentateuco: "Tudo isso lhes aconteceu como exemplo e foi escrito como
advertência para nós, sobre quem os fins dos tempos já chegaram". [gr.
tupikos, tipicamente ou como tipos] Os intérpretes modernos devem ter cautela
para não ultrapassar o programa tipológico das próprias Escrituras.
3. Propósito
A
tipologia, como inserção dos propósitos de Deus nas
Escrituras, é um meio de fazer com que a Palavra de Deus seja relevante para
todos os séculos e situações. Uma vez que Jesus Cristo é o centro constante de
todas as Escrituras, sua pessoa e obra são divinamente calcadas sobre ela em tipos,
símbolos e profecias.
4. Variedade de tipos
(1)
Pessoas típicas, tais como Caim, um tipo do homem natural,
destituído de qualquer senso adequado de pecado ou de expiação (Gn 4.3; 2Pe
2.1-22; Jd 11). Abel, em contraste, é um tipo do homem espiritual cujo
sacrifício de sangue (Gn 4.4; Hb 9.22) evidencia sua culpa pelo pecado e sua
confiança num substituto. Assim também, muitos outros santos do AT são tipos de
algum aspecto do Messias ou de alguma fase de redenção.
(2)
Eventos típicos incluem o dilúvio, o êxodo, a peregrinação no
deserto, a providência do maná, a serpente de bronze, a conquista de Canaã.
(3)
Instituições típicas incluem o ritual levítico, em que existe uma
concentração de tipologias. Por exemplo, todo o ritual levítico em que
cordeiros ou outros animais eram sacrificados para expiar pecados (Lv 17.11)
prefigurava o Cordeiro de Deus (Jo 1.29; Hb 9.28; 1Pe 1.19). A páscoa (Lv 23)
retratava Cristo, nosso Redentor (1Co 5.6-8).
(4)
Ofícios típicos incluem profetas, sacerdotes e reis. Por
exemplo, Moisés, como profeta, era um tipo de Cristo (Dt 18.15-18; Jo 6.14;
7.40).
(5)
Fatos típicos incluem a experiência de Jonas com o grande
peixe, um tipo profético do sepultamento e ressurreição do Senhor (Mt 12.39).
5. Tipo como profecia
A
tipologia tem sido considerada uma espécie de
profecia. Isso é verdade, mas o conteúdo típico talvez não seja conhecido na
época em que o tipo surge. Boa parte dos tipos do AT refere-se a fatos e
verdades relacionados com um período que não foram revelados às testemunhas do
AT (Mt 13.11-17). Pode-se afirmar que esse período, conhecido entre nós como a
Era da Igreja, ainda que encoberta para os profetas do AT, foi projetada nas
instituições, pessoas e objetos do AT mediante a autoria onisciente do Espírito
Santo. Por esse motivo, os rituais, as instituições e as experiências do AT
interessam aos santos do NT, tendo um valor instrutivo para eles. Esse fato,
devidamente compreendido e avaliado, é uma prova maravilhosa da autoria divina
das Escrituras, tornando-a prática e atemporal em suas instruções e relações
cotidianas.
Fonte: Manual Bíblico Unger.1ª Edição de 2006 – Ed. Vida Nova
