A dogmática Aquele ramo da teologia
que procura expressar as crenças e doutrinas (dogmas) da fé cristã - demonstrar
"todo o desígnio de Deus" (At 20.27) de um modo organizado ou sistemático.
Visto que nenhum teólogo dogmático trata somente dos "dogmas" da
igreja, esta disciplina atualmente é mais conhecida por "teologia sistemática"
ou simplesmente "teologia".
Os termos
"dogmática" e "teologia sistemática" são empregados
em sentidos amplo e limitado. Num sentido amplo, os termos designam um dos
quatro ramos da teologia, distinguindo, portanto, a teologia sistemática da
teologia bíblica, histórica e prática. Num sentido limitado, os termos são
usados dentro daquele único ramo da teologia (a sistemática), para distinguir
esta disciplina da história da doutrina, da simbólica (o estudo dos credos e
das confissões), da apologética e da ética. Este artigo concentra-se no senti-
do limitado da dogmática (ou sistemática).
A
dogmática ou a teologia sistemática geralmente trata das seguintes doutrinas:
a revelação (prolegómenos). Deus (a teologia propriamente dita), o homem (a
antropologia), a pessoa e a obra de Jesus Cristo (a cristologia), o Espírito
Santo e a aplicação da salvação (a soteriologia), a igreja e os meios de graça
(a eclesiologia) e o estado intermediário e a Segunda Vinda de Cristo (a
escatologia).
Mesmo usando
termos e disposições organizacionais diferentes, todos os teólogos sistemáticos
ou dogmáticos tratam destes assuntos.
Os
teólogos dogmáticos ou sistemáticos geralmente
ocupam-se das fontes bíblicas e do apoio às doutrinas da fé, da história do
desenvolvimento de tais doutrinas, dos dogmas contrastantes de outras
comunidades da fé e das opiniões de outros teólogos que tratam de tais
doutrinas. Pelo fato de esta disciplina aplicar-se à totalidade, e não somente
a doutrinas específicas, a teologia sistemática sempre reflete uma comunidade
específica da fé - católico-romana, a ortodoxia oriental, a luterana, a reformada,
a liberal, a neo-ortodoxa, a existencialista, etc.
O
SURGIMENTO DO TERMO DOGMÁTICA
O termo "dogmática" surgiu depois da metade do século XVII, e
provavelmente foi usado pela primeira vez em 1659, como título de um livro de
L. Reinhardt. Antes daquela ocasião, os teólogos, ao escreverem teologia que
apelava às Escrituras, usavam termos tais como "página sagrada" ou
"doutrina sagrada".
Os teólogos mais famosos no período
patrístico foram Orígenes, Agostinho e João de Damasco, sendo que este último
representou a tradição da Igreja Grega Ortodoxa.
Na Idade Média, a teologia escolástica foi representada por Pedro
Lombardo e especialmente por Tomás de Aquino. Philip Me- lanchthon refletiu o
luteranismo protestante nos Loci Communes, ao passo que Calvino expressou a teologia reformada nas
suas Institutes da
Religião Cristâ.
Nos dois séculos seguintes,
multiplicaram-se as obras dogmáticas na tradição protestante.
O pai do liberalismo teológico,
Friedrich Schleiermacher, denominou sua obra sistemática The Christian Faith ("A Fé Cristã" - 1821), para
indicar a ênfase que colocava na fé subjetiva do crente, ao invés de concentrá-la
no dogma eclesiástico ou na revelação de Deus. Os teólogos neo-ortodoxos,
parcialmente como reação contra o liberalismo, voltaram ao termo "dogmática".
Emil Brunner publicou uma Dogmática em três volumes; e Karl Barth, uma Dogmática Eclesiástica em treze volumes. Mas até mesmo Paulo
Tillich, um existencialista, produziu uma Teologia Sistemática em três volumes.
Uma nova teologia da História na tradição
protestante é evidenciada nos monógrafos sistemáticos de Wolfhart Pannenberg e
Jürgen Moltmann. Karl Rahner e Hans Küng têm escritos com base em novas
perspectivas católico-romanas. Donald G. Bloes- ch, nos Estados Unidos, Hendrikus
Berkhof, nos Países Baixos, e Otto Weber e Helmut Thielicke, na Alemanha,
publicaram recentemente obras dogmáticas/sistemáticas.
Os teólogos
reformados têm produzido bastante nesta área durante os séculos XIX e XX, sendo
que alguns chamaram as suas obras de ־'dogmática"
e outros de "teologia sistemática".
Os teólogos
holandeses Abraham Kuyper, Herman Bavinck e G. C. Berkou- wer merecem ser
mencionados, bem como os norte-americanos Charles Hodge, Louis Berkhof, John
Murray, Herman Hoeksema, James Oliver Buswell Jr. e Cornelius Van Til.
Francis Pieper tem
escrito da perspectiva do luteranismo confessional, e Augustus Hopkins Strong
dentro da tradição batista. Lewis Sperry Chafer escreveu uma dogmática do ponto
de vista dispensacionalísta.
Por:
F. H. KLOOSTER
Fonte:
Enciclopédia Histórica Teológica da Igreja Cristã.
