Lições Bíblicas Adultos, 1º Trimestre 2026 CPAD
REVISTA: A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único
Revelado em Três Pessoas Eternas
Comentarista: Douglas Baptista
Data da Aula: 8 de Fevereiro de 2026
TEXTO ÁUREO
“E o Verbo se fez carne e habitou entre
nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e
de verdade.” (Jo 1.14)
VERDADE PRÁTICA
Jesus Cristo, o Verbo eterno, é a
revelação plena e visível de Deus ao mundo, manifestando graça, verdade e a
glória do Pai.
LEITURA
DIÁRIA
Segunda - Jo 1.1-3
O Verbo eterno e divino
Terça - Jo 1.14
O Verbo se fez carne
Quarta - Êx 25.8-9
Deus habita entre o povo
Quinta - Jo 1.17
Graça e verdade por Cristo
Sexta - Jo 1.18
O Filho unigênito revelou o Pai
Sábado - Cl 1.15-19
Cristo, a imagem do Deus invisível
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
João 1.1-5,14
1 - No princípio, era o Verbo, e o Verbo
estava com Deus, e o Verbo era Deus.
2 - Ele estava no princípio com Deus.
3 - Todas as coisas foram feitas por
ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
4 - Nele, estava a vida e a vida era a
luz dos homens;
5 - e a luz resplandece nas trevas, e as
trevas não a compreenderam.
14 - E o Verbo se fez carne e habitou
entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de
graça e de verdade.
HINOS SUGERIDOS:
20, 175, 182 da Harpa Cristã
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos
Jesus Cristo como o Verbo eterno de Deus - plenamente divino, Criador e
revelador do Pai. Com base no prólogo do Evangelho de João (1.1-18), veremos
que Ele é Deus desde a eternidade, agente da criação, fonte de vida e luz dos
homens. Destacaremos também a encarnação do Verbo como a suprema revelação de
Deus, cheia de graça e de verdade.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I)
Explicar a preexistência e a divindade do Verbo; II) Mostrar a atuação do Verbo na criação e
como fonte de vida e luz; III) Ressaltar que o Verbo encarnado é a plena
revelação do Pai.
B) Motivação: O apóstolo
João, inspirado pelo Espírito Santo, começa seu Evangelho revelando que Jesus
não é apenas um homem especial - Ele é o próprio Deus, eterno e criador, que se
fez carne para revelar o Pai. Essa revelação exige de nós adoração, obediência
e proclamação.
C) Sugestão de Método:
Antes de iniciar a aula, distribua três folhas com as palavras Eterno, Criador
e Revelador. Peça a três voluntários que segurem cada palavra na frente da
turma. Explique que, no prólogo de João, Jesus é apresentado nessas três dimensões:
Eterno (sempre existiu e é Deus), Criador (todas as coisas foram feitas por
Ele) e Revelador (veio para mostrar quem é o Pai).
Em seguida, leia João
1.1-18 e, a cada título, peça ao aluno que o segura que dê um passo à frente,
ilustrando como essas três verdades se aproximam de nós na encarnação do Verbo.
Finalize destacando João 1.14 e mostrando que, quando Cristo veio, o eterno, o
criador e o revelador se tornaram visíveis e próximos de nós.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: O Cristo que
servimos é o Verbo eterno, Deus de toda a eternidade, que criou todas as coisas
e revelou plenamente o Pai. Negar qualquer uma dessas verdades é distorcer o
Evangelho. Por isso, devemos adorá-Lo, obedecê-Lo e anunciar que, em Jesus,
vemos o próprio Deus.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador
Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos,
entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104,
p.39, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao
final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de
sua aula: 1) O texto "O Verbo", localizado depois do primeiro tópico,
aprofunda o tema do Verbo como pessoa distinta em relação ao Pai no Tópico
"O Verbo como Deus Eterno"; 2) O texto "A Vida era a Luz dos
Homens", ao final do segundo tópico, aprofunda o tópico "O Verbo como
Criador".
INTRODUÇÃO
O prólogo do Evangelho de João apresenta
o Verbo eterno como Deus, Criador e Revelador. Ele se fez carne e revelou de
forma plena e completa a glória do Pai. O apóstolo João afirma que viu a glória
do Deus Unigênito, cheia de graça e de verdade. Nesta lição, veremos que essa
revelação marca o clímax da encarnação do Verbo — o Filho de Deus — onde o
invisível se tornou visível, o eterno entrou no tempo e o insondável foi
manifestado em Cristo Jesus
PALAVRA-CHAVE: Verbo
I – O VERBO COMO DEUS
ETERNO
1. O Verbo preexistente.
O prólogo de João (dezoito versículos
iniciais) é chamado de “Hino Logos”. Na abertura: “No princípio, era o Verbo”
(Jo 1.1a), as palavras “no princípio” lembram o texto introdutório da Bíblia
(Gn 1.1) e claramente ensinam que o Verbo sempre existiu. Esta é uma maneira de
referir-se ao atributo da Eternidade que só Deus possui. A expressão “Verbo”
(gr. lógos) designa Deus, referindo-se à divindade do Filho. Enquanto os gregos
pensavam em um princípio impessoal e os gnósticos num ser intermediário, João apresenta
o Logos como o próprio Deus Eterno — Jesus Cristo, o Filho Unigênito do Pai (Jo
1.14; 3.16). Antes de tudo o que existe, o Verbo já existia. Jesus não começou
a existir em Belém, pois Ele é Eterno, coexistente com o Pai desde o princípio
(Cl 1.17).
2. O Verbo como pessoa distinta.
No texto bíblico, João afirma que “o
Verbo estava com Deus” (Jo 1.1b). A expressão grega pros ton Theon (com Deus)
comunica relacionamento face a face, ou seja, comunhão pessoal e eterna entre o
Verbo (Filho) e Deus (Pai). Indica uma distinção de Pessoas dentro da unidade
da Trindade (Dt 6.4; 1 Jo 5.7). O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são
formas sucessivas de aparecimento de uma Pessoa, mas são Pessoas coexistentes
desde “o princípio” (Jo 1.2; 17.5).
"Enquanto os gregos pensavam em um princípio impessoal e os gnóstico num ser intermediário, João apresenta o Logos como o próprio Deus Eterno — Jesus Cristo, o Filho Unigênito do Pai.”
3. O Verbo é da mesma essência do
Pai.
Ainda no versículo de abertura, João
revela “o Verbo era Deus” (Jo 1.1c). Aqui, a palavra grega para Deus (Theós)
aparece sem o artigo definido — fato que tem gerado discussões exegéticas.
Porém, na estrutura grega, a ausência do artigo não implica indefinição ou
inferioridade. Essa construção enfatiza a qualidade ou a natureza do sujeito. A
omissão do artigo não significa “um deus”, como sustentam traduções heréticas,
mas é um indicativo da natureza do Verbo. Esclarece que o Verbo compartilha da
mesma essência divina (Jo 10.30; 14.9). Desse modo, o Verbo é como o Pai:
eterno (Jo 1.2) e criador (Jo 1.3). Portanto, a expressão “o Verbo era Deus”
ensina que Jesus é da “mesma substância” do Pai, isto é, Deus em sua totalidade
(Cl 1.15; 2.9).
SINÓPSE
I
O
Verbo é eterno, distinto do Pai e da mesma essência divina, plenamente Deus.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“O VERBO.
João começa o seu
Evangelho (isto é, o relato das ‘boas-novas’ e da verdadeira história de Jesus
Cristo) chamando Jesus de ‘o Verbo’ (gr. logos). Ao usar este termo para
definir Jesus, o apóstolo o apresenta como a Palavra pessoal de Deus, por meio
da qual todas as coisas vieram à existência (v. 3; cf. Gn
1.3,6,9,14,20,24). A Bíblia afirma que
Deus tem falado conosco através de seu Filho (Hb 1.1-3); e, evidentemente, as
próprias palavras de Jesus procedem diretamente de Deus (Jo 8.28; 14.24). A
Palavra escrita de Deus declara que Jesus Cristo é a sabedoria divina para nós
em todos os aspectos, ajudando-nos a compreender, manifestar e realizar os
propósitos do Senhor (1Co 1.30; Ef 3.10-11; Cl 2.2-3). Além disso, a Escritura
descreve Jesus como a perfeita revelação da natureza e da personalidade do Pai
(Jo 1.3-5, 14, 18; Cl 2.9) — Cristo é Deus em forma humana. Assim como as
palavras de uma pessoa revelam seu coração e sua mente, Cristo, como ‘o Verbo’
(isto é, a Palavra), revela o coração e a mente de Deus (Jo 14.9). [...] A
relação entre o Verbo e o Pai. (a) Cristo estava ‘com Deus’ antes da criação do
mundo (cf. Cl 1.15). Ele é uma pessoa que existe eternamente – não tem começo
nem fim – diferentemente de Deus Pai, mas em um relacionamento eterno e uniforme
com Ele. (b) Cristo é divino (‘o Verbo era Deus’), tem a mesma natureza, o
mesmo caráter e o mesmo modo de ser que o Pai (Cl 2.9)” (Bíblia de Estudo
Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1837).
II – O VERBO COMO CRIADOR
1. O agente da criação.
A Bíblia declara que “no princípio,
criou Deus” (Gn 1.1a). A expressão “criou” traduz a palavra hebraica bārā’,
termo reservado à atividade criadora de Deus (Gn 1.21,27; 2.4; 5.1,2; 6.7).
Afirma que o universo foi criado por Deus a partir do nada — do latim ex nihilo
(Hb 11.3). A doutrina de Deus como Criador possui fundamentos tanto no Antigo
Testamento (Sl 33.6; Is 45.12; Ne 9.6) quanto no Novo Testamento (At 17.24; Rm
1.20; Ap 4.11). Nesse sentido, João apresenta Jesus também como Criador: “Todas
as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo
1.3). Este versículo enfatiza a divindade do Verbo, uma vez que a criação é
obra exclusiva de Deus (Cl 1.16,17). Desse modo, o Filho é o agente ativo na
criação do universo (Hb 1.2).
2. A fonte da vida.
O apóstolo João enfatiza com clareza que
“nele, estava a vida” (Jo 1.4a), referindo-se ao Verbo eterno — Jesus Cristo.
Esta declaração revela que o Verbo é a fonte absoluta e originária de toda
forma de vida, tanto física quanto espiritual e eterna (Jo 3.36; 1 Jo 5.11,12).
A expressão denota a autossuficiência do Verbo, uma característica específica
da divindade (At 17.25). Jesus não depende de nada ou ninguém para viver. Ele
compartilha da mesma substância divina: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo,
assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Essa verdade
afirma que a vida, eterna e imutável, que está no Pai está igualmente no Filho,
apontando para a mesma essência dentre as Pessoas da Trindade (Jo 10.30; 14.9;
17.5).
3. A luz dos homens.
O texto bíblico assevera que “a vida era
a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a
compreenderam” (Jo 1.4b-5). A metáfora da Luz simboliza o caráter de Deus,
porque nEle não há trevas alguma (1 Jo 1.5). Nesse contexto, Jesus é apresentado
como a Luz verdadeira (Jo 1.9). Ele não apenas possui luz; Ele é a própria Luz
(Jo 8.12). Ele dissipa as trevas, ilumina os perdidos e revela o pecado (Mt
4.16; Jo 3.19). A declaração “as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1.5 –
NAA) mostra que as forças do mal não têm poder sobre Cristo. O verbo grego
katalambánō pode ser traduzido como “compreender”, “apoderar” ou “dominar”, e
nesse caso expressa que as trevas do pecado não podem resistir à luz do Filho
de Deus (Rm 13.12).
SINÓPSE
II
Como
Criador, o Verbo é fonte de vida e luz, e nenhuma força de trevas pode
prevalecer contra Ele.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“A VIDA ERA A LUZ DOS HOMENS.
(1) A ‘vida’ (gr. zōē) é
um dos temas centrais do Evangelho de João, aparecendo 36 vezes. Jesus é
descrito como o Pão da Vida (Jo 6.35, 48) e a Água da Vida (Jo 4.10-11; 7.38).
Suas palavras são palavras de vida eterna (Jo 6.68). Ele é quem dá a vida (Jo
6.33; 10.10), e essa vida é um dom de Cristo (Jo 10.28). Na verdade, Cristo é
‘a vida’ (Jo 14.6). Em outras palavras, a verdadeira vida encontra-se em Cristo
(cf. Jo 14.6) e é experimentada por meio de um relacionamento pessoal com Ele
(Jo 17.3). (2) A ‘luz’ (gr. phōs) é mencionada 23 vezes no Evangelho de João,
mais do que em qualquer outro livro do Novo Testamento. A vida de Jesus é a luz
para todas as pessoas, o que significa que Ele nos revelou a Deus e aos seus
planos para nossa existência, mostrando-nos o caminho de volta a Ele. A
verdade, a natureza e o poder de Deus foram manifestados em Cristo e estão
disponíveis a todos por meio dEle (Jo 8.12; 12.35-36, 46). Em Jesus também
podemos tornar-nos filhos da luz (Jo 12.36) e andar na luz (1 Jo 1.7)” (Bíblia
de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1837).
III – O VERBO COMO
REVELAÇÃO DO PAI
1. A encarnação do Verbo.
João também apresenta o Verbo como o supremo meio de autorrevelação do Pai: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (Jo 1.14a). Esta afirmação marca o ponto culminante da revelação divina: o Verbo se tornou homem sem deixar de ser Deus (Fp 2.6-8).
O termo grego eskēnōsen (habitou) significa literalmente “armou sua tenda”.
Essa linguagem faz alusão ao Tabernáculo (Êx 25.8,9), onde a presença de Deus
habitava no meio do povo de Israel. O corpo de Cristo é assim comparado a esse
tabernáculo: nele, a glória de Deus se manifestou visível entre os homens (Cl
2.9). Ele revela a união hipostática das duas naturezas do Filho: divina e
humana. Ele é o Emanuel, o Deus conosco (Mt 1.23) — a plena revelação do Pai
(Hb 1.1).
"Essa verdade afirma que a vida,
eterna e imutável, que está no Pai está igualmente no Filho.”
2. A plenitude da graça e da verdade.
João, testemunha ocular da encarnação do
Verbo, declara ser a “glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”
(Jo 1.14b). A palavra “glória” (gr. dóxa) remete ao conceito da shekinah — a
presença gloriosa de Deus entre o seu povo (Êx 40.34,35). Porém, enquanto a
glória na Antiga Aliança se manifestava parcialmente, em Cristo ela se mostra
plenamente (Jo 2.11; 17.1-5). A frase “cheio de graça e de verdade” revela o
conteúdo dessa glória. Diferente da lei dada por Moisés (Jo 1.17a), Cristo
encarnou a própria graça salvadora e a verdade eterna. Ele não apenas ensina a
verdade — Ele é a verdade (Jo 14.6). E não apenas oferece graça — Ele é a
plenitude da graça de Deus, uma provisão contínua que se manifestou salvadora a
todos os homens (Tt 2.11).
3. O revelador do Deus invisível.
No último versículo de seu prólogo, João
afirma: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio
do Pai, este o fez conhecer” (Jo 1.18). Aqui, o apóstolo enfatiza que Deus é
invisível e inacessível (Êx 33.20; 1 Tm 6.16). No entanto, o Verbo o revelou de
forma plena e perfeita. A expressão “Deus unigênito” (gr. monogenēs theos)
significa literalmente “o Deus único gerado”. Refere-se a Cristo — o Filho da
mesma substância (gr. homoousios) do Pai. Essa declaração reafirma a eternidade
e a plena divindade do Filho. Cristo é a autorrevelação completa do Pai: “Quem
me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9).
SINÓPSE
III
O
Verbo encarnado revela de forma plena o Pai, manifestando graça e verdade.
CONCLUSÃO
Jesus Cristo é o Deus unigênito que
revela o Pai. Nele, a glória, a graça e a verdade de Deus são plenamente
manifestas. A encarnação do Verbo não é apenas uma doutrina essencial da fé
cristã, mas também um chamado à adoração e proclamação daquEle que é a imagem
visível do Deus invisível. O Senhor Jesus é a perfeita revelação do Pai à
humanidade. Que cada crente reconheça que conhecer a Cristo é conhecer o
próprio Deus, e que proclamar essa verdade é tornar a glória do Pai conhecida
no mundo.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Como é chamado o
prólogo de João (dezoito versículos iniciais)?
“Hino Logos”.
2. O que os gregos
pensavam a respeito do Verbo?
Que o Verbo era uma força ou ideia, e não plenamente pessoal e divino.
3. Qual é o texto bíblico
em que João apresenta Jesus também como Criador?
João 1.3.
4. A declaração “nele,
estava a vida” (Jo 1.4a), referindo-se a Jesus Cristo, revela o que a respeito
do Verbo?
Que Ele é a fonte absoluta e originária de toda forma de vida.
5. A expressão “Deus
Unigênito” significa literalmente o quê?
“O Deus único gerado” — o Filho da mesma
essência do Pai.

