1 Coríntios 4.14-16 (principalmente o v.15) e Romanos 15.4

I. Introdução
O mundo ao tratar da tríplice potencialidade inata em todo ser humano, começa pelo seu “poder intelectivo”, porém Jesus ao abordar o referido assunto, começa pelo “poder afetivo” (Mc 12.30 “de todo o teu coração, e de toda a tua alma”). Portanto, diante de Deus, maior não é quem sabe mais, mas quem mais ama irrestritamente a Deus (“de todo o teu coração e de toda a tua alma”). Na referida passagem (Mc 12.30), Jesus colocou a cognição (o poder intelectivo, “o entendimento”), em segundo lugar. A terceira potencialidade ou faculdade inata no ser humano é a volição; a vontade; o poder de querer “de todas as tuas forças”, (Mc 12.30).

II. Conhecimento - Como o adquirir.
Ø   Provérbios 4.7 “Adquire a sabedoria e o conhecimento”. Vejamos os meios e canais de aquisição do conhecimento, inclusive o bíblico e espiritual.
1. A Percepção
É a percepção sensorial mediante os sentidos físicos.
O conhecimento que chega ao intelecto através da percepção, tendo os sentidos fisiopsíquicos como canais de aprendizagem, costuma ser chamado de conhecimento empírico, que na prática do viver humano é chamado de pragmático.
  Ø  Ver Jó 12.7-11; Sl19.1-4; 8.1,3,9; Rm 1.20; Jo 20.29.
Aí estão as gravuras, os quadros, os gráficos, os livros, a imagem, as cenas da natureza, a experimentação, a observação pela vista, pelo ouvido, pelo olfato, pelo paladar, pelo tato.

Como está a nossa percepção fisiopsíquica na aquisição do conhecimento?
O conhecimento mediante a percepção é muito limitado devido a atual fragilidade dos sentidos humanos afetados pelo pecado. Não era assim no princípio, mas o efeito deletério do pecado, mais as doenças e enfermidades, mais abusos cometidos pelo ser humano reduz drasticamente a sua capacidade de percepção.

2. A Razão (= A Mente)
O conhecimento através da razão; da inteligência; da mente; do raciocínio.
A razão é mais elevada faculdade do ser humano. Trata-se do estudo metódico, individual ou em grupo; a investigação; a reflexão; a inquirição; a pesquisa. O emprego devido e organizado da razão conduz ao discernimento do conhecimento e ao tirocínio.
Ver Dn 9.2; Lc 1.3; At 17.11; Et 6.1,2
Como está a atividade do nosso raciocínio na aquisição do conhecimento, necessário em geral?

3. A intuição
Intuição é o conhecimento direto das coisas, sem a ajuda da razão, nem da percepção. É uma forma da pessoa “sentir” e “perceber” psiquicamente.
É um fenômeno psíquico na área da empatia humana. A intuição funciona ao nível da alma da pessoa.
A mulher costuma ser mais intuitiva do que o homem, por ser mais suscetível a “sentir” psiquicamente.
Ø    Ver 2 Sm, cap.14 (com destaque no v.20). Ver também Jr 18.18. “O conselho do sábio”. Na nossa aquisição de conhecimento, como está a nossa capacidade “sentir” psiquicamente?

4. A Natureza Humana
Deus ao criar e também formar o ser humano, implantou no seu constituinte imaterial, leis morais como uma das fontes de obtenção de conhecimento.
Ø  1 Coríntios 11.14 “Ou não vos ensina a mesma natureza (....)?
Trata-se aqui da ordem moral (=as leis morais) implantadas por Deus na criatura humana, que além de outras finalidades é o um meio de aprendizagem.
Infelizmente, o homem pela sua incredulidade, práticas pecaminosas e estúpida rebelião contra Deus, na sua ignorância espiritual, ele (o homem) oblitera e atrofia essas leis implantadas pelo seu Criador. Graças a Deus que nós como salvos, e vivendo para Jesus, Ele abençoa o nosso inteiro ser, como novas criaturas nEle: espírito, e alma, e corpo.
Ø    Jó 38.36 “Quem pôs a sabedoria no íntimo, ou quem deu à mente o entendimento?” Rm “a lei escrita em seus corações.”

5. A Meditação Humana
É o conhecimento mediativo acadêmico, científico, filosófico, obtido por meio dos outros; de mestres e também de outras pessoas.
Também, cursos, livros, meios e recursos de aprendizagem; o exemplo dos outros; observar os outros a fazer algo etc.
Às vezes aprendemos mais com a pessoa e a vida do mestre, do que com a sua aula.
Um fator muito influente no aprendizado é a atenção do aluno para com o professor, o interesse do aluno para com a matéria que o professor ensina.
Ver 2 Tm 2.2; At 18.26; Fp 4.9; Mt 11.29 “Aprendei de mim” (disse Jesus).
O exemplo de Paulo, o mestre, e seus auxiliares, ensinando (1 Tm 2.7; 2 Tm 1.11).

Livro de Atos dos Apóstolos
11.26 Paulo ensinando durante um ano à igreja Antioquia.
14.28 Paulo “não pouco tempo com os discípulos, em Antioquia.
15.35 “Ficaram ensinando em Antioquia”
18.4 Paulo ensinando “todos os sábados” em Corinto.
18.11 Ensinando um ano e meio em Corinto.
18.26 Priscila e Áquila, discípulos de Paulo, convidaram o grande Apolo para sua casa, e ensinaram-lhe “pontualmente” (= ponto por ponto) a doutrina bíblica.
19.8 Paulo ensinando “três meses” na igreja em Éfeso.
19.10 Paulo ensinando “dois anos” na igreja em Éfeso.
20.31 Paulo ensinando “três anos e meio” na igreja em Éfeso.
28.30,31 Paulo ensinando “dois anos” em Roma.
(Veja-se a diferença de conteúdo textual da epístola à igreja de Éfeso e os das epistolas às demais igrejas, às quais Paulo escreveu por direção e inspiração do Espírito Santo: Roma, Corinto, Galácia, Filipos, Colossos e Tessalônica.).

6. A Criação
Trata-se aqui do conhecimento adquirido através da natureza, do universo, da criação, do cosmos.
A Criação é um livro de Deus, aberto, cujas palavras são os objetivos, as pessoas, as coisas, a imagem em geral, os céus, campos, rios, animais de todas as espécies, plantas, matas, montes, noites, dias, leis da natureza e seus fenômenos etc.
O crente precisa ser sempre um atento aprendiz da Criação que Deus efetuou e a sustenta. Ler Gn 1; 2; Sl 19.1-4; Jó 12.6,7; Rm 1.21; Jó capítulos 37-41; Jo 1.2,3; Hb 1.2,3; 11.3; At 17.24,25; 2 Pe 3.5 “eles propositalmente (...)”.

7. A Casa Do Senhor
A Casa do Senhor e o culto ao Senhor são também um canal de santa aprendizagem para os que ali “habitam” (Sl 84.4), e ali “moram” (Sl 27.4), e não apenas frequentam habitualmente.
Infelizmente há igrejas por aí, onde o crente descuidado e imaturo, ao visitá-las desaprende muito do que sabe de bom, de verdadeiro, de doutrinário, de agradável a Deus.
Ler e meditar em Sl 26.8; 84.1,2,4,10; Jo 2.17; Hb 10.25; Ag 1.4,8; Ec 5.1; Sl 93.5; 122.1; At 5.42
“E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo.”
Até que ponto estamos enriquecendo o nosso conhecimento mediante a igreja que frequentamos; seus cultos; suas reuniões; seus eventos?

8. Iluminação Divina
É uma forma de conhecimento espiritual provido por Deus para o crente, no seu viver e serviço para Ele.
A iluminação divina vem pelo Espírito Santo operando no crente. Ela parte do conhecido, ampliando-o; ela não é princípio, criativa, e sim ampliadora.
A iluminação divina faz-nos ver as coisas na perspectiva de Deus.
Ler Ef 1.18-23; Cl 1.8-10; Jo 14.26; 1 Sm 16.7; Sl 119.130; Jó 36.22; 1 Co 2.12,13.

9. Inspiração Divina

É uma forma de conhecimento espiritual provida por Deus para o crente.
A inspiração divina é “criativa”; ela parte do nosso conhecimento incipiente, de determinado assunto, para ampliá-lo; multiplicá-lo etc.
Não confundir com a inspiração humana “natural” de pintores famosos, inventores, desenhistas, poetas, romancistas, compositores, cantores líricos, oradores, certos profissionais, etc.

A dupla forma de inspiração divina:

• A inspiração divina Bíblica: que foi a única quanto aos seus escritores (2 Pe 1.21; 2 Tm 3.16; 2 Sm 23.2).
• A inspiração divina em geral: Que Deus continua a conceder a seus servos pregadores, mestres, escritores, pastores, missionários, administradores da sua obra, testemunhas do Senhor, ganhadores de almas, crentes em geral, afinados com o Espírito Santo. Ver Atos 20.7,11; 17.23; 24.24-27.

10. A Unção Divina

É também uma de conhecimento espiritual do crente provida de autoridade divina. Ver 1 Jo 2.20,27; 2 Co 1.21

11. Revelação Divina

É também uma forma de conhecimento espiritual do crente, provido por Deus.
Não se trata aqui de “revelação” no sentido popular e comum como se ouve em relatos populares entre os crentes.

A revelação divina parte do desconhecimento, para revelá-lo como se vê em Ef 1.16, 17; Gl 1.11, 12; 2.2; 1 Co 2.9-11; 2 Co 12.1; Mt 11.21; 16.17.
Uma forma de revelação divina está nos dons espirituais da “palavra da sabedoria”; “palavra da ciência”; do “discernimento de espíritos”; e da “profecia” (1 Co 12.8-10).

A Bíblia registra inúmeros casos de revelação divina. Por exemplo, o livro de Gêneses, nos seus primeiros capítulos foi dado a Moisés por “revelação divina”, é evidente, e não apenas por “inspiração divina”.

Outros exemplos:
  Ø  José ante Faraó e seus oficiais (Gn, caps. 40;41) Daniel ante o rei Nabucodonosor (Dn, cap. 2)
  Ø  Zacarias, o profeta (Zc, caps. 13; 14). (E muitos outros)
  Ø  O apóstolo Paulo (1 Co 2.9,10; 2 Co 12.1; Rm 16.25; Ef 3.3-5).
João, o Evangelista, em Patmos (o Livro de “Apocalipse”, que literalmente significa “Revelação”, Ap 1.1).

12. A Fé
A Fé é outro meio de conhecimento espiritual do crente.

Hb 11.3 “Pela fé “entendemos” que (…).
Gl 2.20 - “a fé do Filho de Deus”. Ver também Hb 12.2.
1 Tm 4.6 – As “palavras” da fé. Ora, a palavra é o principal meio de comunicação na aprendizagem e no ensino.

13. O Sofrimento (probatório)

O sofrimento do justo, principalmente o probatório, da parte de Deus, é um meio de aprendizagem.
·        Salmo 119.71-ÀS vezes precisamos aprender na escola do sofrimento.
·        2 Coríntios 1.4-O crente sofrendo para poder ajudar aos que sofrem.
  Ø  Ler e meditar em 2 Coríntios 12.7-10; Rm 8.35-37; Fp 1.12-14; 2 Tm 2. 9-12; Hb 5.8 “Ainda que era filho, aprendeu a obediência por aquilo que padeceu”. Até o Senhor Jesus, na sua dimensão humana e sem pecado, passou por esta escola.

14. A Experiência Diurna do Crente

A experiência do crente no seu viver e no trabalho diário é um grande professor. É a “escola da vida” Jó 12.12.

Juízes 20.16 – Como os soldados benjamitas - 700 deles, tornaram-se insuperáveis peritos-atiradoes? Ver também 1 Cr 8.40. Certamente eles se exercitaram na prática, diariamente.

·        1 Crônicas 11.10-47 – Os soldados-heróis do exército de Davi, quando permaneceu no
deserto de Judá. Tudo começou com “Uns 400 homens” (1 Sm 22.1,2). Eram homens inicialmente rudes, incultos, forasteiros, recalcados, foragidos, oprimidos, endividados; enfim, indesejáveis.
Esse grupo logo chegou a 600 homens (Sm 23.12,13; 27.2; 30.9). Davi os educou, disciplinou, treinou como autênticos “líderes”, os quais tornaram-se sua tropa de elite (2 Sm 23.8-39).

·        1 Reis 7.13-45 - Como Hirão de Tiro, perito-profissional metalúrgico, chegou a ser tão habilidoso, competente e procurado por seus excelentes serviços?
Certamente praticando desde pequeno ao lado do seu pai, o qual era também um esmerado metalúrgico (1 Rs 7.14ª).

·        2 Samuel 10.9 – O general Joabe, comandante do exército de Israel durante o reinado de Davi, conseguiu escolher dentre os soldados “mais escolhidos”, um grupo de soldados para uma missão difícil (2 Cr 19.10). Como este grupo de guerreiros “escolhidos dentre os escolhidos”, chegou a tal perfeição? Certamente através da prática.

·        1 Rs 5.6 – Como os operários sidônios chegaram a tal perícia em trabalhar com produtos de madeira? “Entre nós ninguém há que saiba cortar a madeira como os sidônios”. Certamente resultado da prática diuturna.

·        2 Timóteo 2.15 - “Como obreiro, que manejas bem a palavra da verdade”. No original, “maneja bem” (Orthios/ tomeo), transmite a ideia de perícia, excelência, prática constante. Ver a metáfora da Bíblia como “espada”, em Hb 4.12; Ef 6.17).

·        Atos 18.26 – Como Áquila e Priscila, sua esposa, conseguiram também preparo bíblico
como demonstrado aqui, no caso do eloquente e culto Apolo, de Alexandria?
Diz o texto bíblico: “e lhe declararam mais pontualmente (ponto por ponto), o caminho de Deus”.
Como “Priscila e Áquila” (At. 18.26) chegaram a esse ponto? Certamente ouviam com muita atenção e oração os ensinos de Paulo, a quem eles hospedaram (At 18.1 – 3).

15. Ouvir com toda atenção e interesse
É também outro meio de adquirirmos conhecimento.

Tiago 1.19 - “Todo homem seja pronto para ouvir (…)”.
Quem não ouve com atenção, entende errado, e passa a ensinar errado.
Lucas 10.39 – Maria, de Betânia; ouvinte muito atenciosa da Palavra de Deus. As bênçãos provenientes disso (v.42).
Lucas 8.18 - “Vede, pois como ouvis”. Isto foi dito por Jesus. É prestar a devida atenção ao que se ouve.
Hebreus 5.11 - “Vos fizestes negligentes para ouvir”. Somos ouvintes atentos diante de Deus, para ouvir e aprender?
 Ver também 7 vezes em apocalipse: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: 2.7, 11, 17, 29; 3.6, 13, 22.


O conhecimento e a sabedoria

1) Conhecimento é qual matéria prima que a sabedoria emprega, de maneira lógica, dosada, oportuna e conveniente. Conhecimento, é, digamos, uma espécie de banco de dados da mente, da memória, do entendimento da pessoa. Conhecimento é teoria; sabedoria é prática.

“O meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento” (Os 4.6).

2) Conhecimento e sabedoria são elementos distintos, mas interdependentes. Rm 11.33; Cl 2.3.

 – Sabedoria sem conhecimento fica travada.
 – Conhecimento sem sabedoria é inoperante e até desastroso “Sabedoria é a coisa principal”, diz a Palavra de Deus, em Pv 4.7.

3) Sabedoria PE discernir claramente entre o bem e o mal; mas não é só isso; é também escolher sempre o bem e praticá-lo, e ao mesmo tempo rejeitar o mal. Daí, a sabedoria espiritual estar associada ao poder de Deus, em Cristo (1 Co 1.24).

4) O princípio, isto é, o começo da sabedoria é a pessoa ter temor do Senhor (Sl 111.10; Pv 1.7; 9.10;15.33; Jó 28.28).

5) João 8.32. Disse Jesus: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Não é o conhecimento em si que liberta; ele é um meio de nos conduzir à Verdade que liberta, que é Jesus (Jo 14.6).

6) A ilusão prioridade da filosofia de Sócrates: “Homem, conhece-te a ti mesmo”. O que diz Deus sobre o que é prioritário no conhecimento: “Mas o que se glória, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor” (Jr 9.24).

Autor: PR. Antonio Gilberto -  Extraído da Revista Ensinador Cristão.


 
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