
O
ministério do ensino da Palavra é primordial para a igreja exercer o
discernimento no que tange ao tempo em que vive (culturas, teologia, filosofias
etc.). Tão importante é a função do mestre na igreja que as Escrituras declaram
o quanto ele deve esforçar-se intelectualmente para exercer tão nobre tarefa (Rm 12.7;
1 Tm 4.13). É uma tarefa importante e indispensável que exige muito de quem a
desempenha.
1. O mestre da Galileia.
Doutor incomparável, "percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando
nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino [...]" (Mt 4.23).
No ministério terreno, seus sermões, ensinos e discursos eram inflamados pelo
amor às pessoas. Diferente dos escribas, Ele ensinava como quem tinha
autoridade (Mt 7.28,29). A verdade emanava da pessoa de Jesus! Os que o ouviam só tinham duas
opções: amá-lo ou odiá-lo. Era impossível ouvi-lo e ficar indiferente. Jesus
transtornava a consciência do acomodado e aquietava o coração do perturbado.
2. O mestre divino.
Em visita a Jesus, um mestre da Lei chamado Nicodemos, educado nas
melhores escolas religiosas de Israel e grande conhecedor das Escrituras
hebraicas, reconheceu em Jesus um personagem incomum de seu tempo (Jo 3.1,2).
Esse mesmo fariseu, que era príncipe dos judeus, afirmou que o Nazareno não
poderia fazer o que fazia se Deus não fosse com Ele. Jesus é chamado Mestre
cerca de quarenta e cinco vezes ao longo do Novo Testamento.
3. O mestre da humildade.
A fim de ensinar os discípulos acerca da humildade, Jesus
"levantou-se da ceia, tirou as vestes e, tomando uma toalha, cingiu-se.
Depois, pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a
enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido" (Jo 13.4,5).
Que cena chocante para os judeus! A pergunta de Pedro descreve essa
perplexidade (v.6). Era inimaginável um mestre encurvar-se para lavar os pés de pessoas
leigas. Jesus era um mestre e deu o exemplo aos discípulos. O Emanuel,
"Deus conosco", encurvou-se diante dos homens! Isso se deu porque o
ensino de Jesus não era mero discurso, mas "espírito e vida" (Jo 6.63). Ele nos convida a fazer o mesmo: "Vós me
chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre,
vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos
dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13.13-15).
1. Uma ordem de Jesus.
Antes de ascender aos céus, de modo solene Jesus determinou aos seus
discípulos que ensinassem "todas as nações [...] a guardar todas as
coisas" que Ele tinha ordenado (cf. Mt 28.19,20).
O livro de Atos registra a obediência dos primeiros apóstolos no cuidado de
cumprir a determinação de Jesus. Após a descida do Espírito Santo (At 2.1-6),
o discurso de Pedro foi um verdadeiro ensino proferido no poder do Espírito
Santo (At
2.14-40). Tendo em vista a plena edificação da Igreja na
Palavra, o Senhor Jesus, através do Espírito Santo, dotou alguns de seus servos
com o dom ministerial de mestre ou doutor (Ef 4.11). Esse dom é
uma capacitação sobrenatural do Espírito. Isso não significa, porém, que
devemos descuidar de nossa formação intelectual, pois o preparo para o ensino
passa pela capacidade de aprender para posteriormente ensinar.
2. A doutrina dos apóstolos.
O texto de Atos
2.42 informa-nos que os primeiros convertidos
"perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do
pão, e nas orações". Além disso, acrescenta que em "cada alma havia
temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos" (v.43).
A "doutrina dos apóstolos" aqui referida trata-se do conjunto de
ensinos de Cristo ministrados por eles de forma constante e eficaz para o
crescimento integral dos novos crentes.
3. Ensinamento persistente.
Os primeiros mestres das Escrituras foram os integrantes do Colégio
Apostólico (At 5.42, cf. vv.40,41). A Igreja começou nas casas, onde o ensino era ministrado a pequenos
grupos nos lares. Falando aos anciãos de Éfeso, o apóstolo Paulo mostrou-se
como um verdadeiro mestre que ensinava "publicamente e pelas casas,
testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus e a fé em
nosso Senhor Jesus Cristo" (At 20.20,21).
Deus havia preparado homens para ensinar e levantado "doutores" na
igreja em Antioquia (At 13.1). O Pai
Celestial igualmente deseja levantar mestres em sua igreja. Vivemos dias em que
este ministério nunca foi tão necessário.
1.
Uma necessidade urgente da igreja.
Para
o ministério de ensino ser eficaz na igreja local é preciso haver pessoas
vocacionadas. Não são todas que reúnem informações exegéticas, históricas e
literárias da Bíblia, aplicando-as como é necessário. Deus concedeu à sua
igreja mestres, e é preciso que ela invista neles também. Muitas vezes, por
absoluta falta de preparo dos obreiros, predomina a superficialidade bíblica, a
infantilidade "espiritual" e o aumento do engano promovido pelas
astúcias dos falsos mestres (2 Pe 2.1).
Esse dom do Senhor é para a igreja amadurecer em todas as dimensões da vida
cristã, ao mesmo tempo em que desmascara os falsos ensinos (Ef 4.14;
Os 4.6).
2. A responsabilidade de um discipulado contínuo.
Estamos acostumados a pensar que o discipulado termina quando o novo
convertido é batizado. Não há nada mais equivocado! O Senhor Jesus chamou-nos
para ser os seus discípulos por toda a vida. Por isso, quem ensina instrui os
crentes para a maturidade da fé. É um aprendizado diário, permanente e
contínuo, tanto para quem é discipulado quanto para quem está discipulando!
3. Requisitos necessários ao mestre. Apresentaremos
alguns requisitos importantes para a igreja reconhecer pessoas com o dom
ministerial de mestre em nossa época:
a) Um salvo em Cristo. Não pode haver
dúvidas quanto à própria experiência salvífica por parte do vocacionado para o
ministério do ensino (2 Tm 2.10-13).
Infelizmente há pessoas que não creem naquilo que ensinam. Assim, não há
verdade nem firmeza nelas.
b) O hábito de ler. Em nosso país, a
leitura é um problema cultural. Se as pessoas leem pouco, a igreja pouco lerá.
Entretanto, como ensinaremos se não lermos? O hábito da leitura era levado a
sério no ministério do apóstolo Paulo (1 Tm 4.13;
2 Tm 4.13).
c) Preparo intelectual. A Bíblia é o
instrumento de trabalho do ensinador cristão. Considerando este livro milenar,
veremos que a cultura e o mundo da Bíblia são diferentes do nosso. Por isso, o
mestre deve compreender o mundo da Bíblia (suas questões culturais,
linguísticas, exegéticas etc.) para não fazer apelações fantasiosas,
apresentando-as como exposição da Palavra de Deus.
d) Um coração em chamas. Martin
Loyd-Jones dizia que a verdadeira pregação era teologia em fogo. É vontade de
Deus que o vocacionado ao ensino utilize os avanços das ciências bíblicas para
pregar a Palavra de Deus na força do Espírito Santo. Precisamos alcançar as
mentes e os corações dos nossos dias, e isto apenas será possível quando
tivermos obreiros com uma mente bem preparada e conectada a um "coração em
chamas" e apaixonado por Jesus (At 3.12-26).
É preciso desfazer a ideia propagada ao longo de décadas acerca do
preparo intelectual do crente. Não é verdade que necessariamente ele esfriará
na fé se estudar. Se fosse assim Paulo seria o mais frio dos apóstolos do Novo
Testamento, pois não havia obreiro mais bem preparado que ele (At 17.15-34; Tt 1.12). Este, no entanto, soube conjugar preparo intelectual e poder do
alto. É disso que as nossas igrejas precisam: homens cheios do Espírito, mas do
mesmo modo, com a mente iluminada para responder, com mansidão e temor, a razão
da nossa esperança (1 Pe 3.15).
Lições Bíblica Adultos
– 2° trimestre de 2014 - CPAD