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INTRODUÇÃO
A Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo, certamente, é um dos assuntos mais claros da Bíblia. Antes de nos empenharmos a compreender o que as Escrituras Sagradas revelam sobre o assunto é importante entender o fundamento da Segunda Vinda de Cristo: sua ressurreição, o arrebatamento da igreja e a própria vida eterna.
 
A centralidade da fé cristã encontra-se no evento da ressurreição (1 Co 15.14). Tanto a vida presente quanto a eterna é possível graças ao evento da ressurreição de Jesus Cristo. Se Cristo não ressuscitasse dos mortos, todos os milagres realizados em seu ministério, o investimento em seus discípulos e, até mesmo, sua morte sobre a cruz, seriam em vão. A ressurreição de Cristo foi a culminância de um projeto eterno de Deus para restauração da sua comunhão com a humanidade.

Semelhantemente a promessa da Vinda do Senhor Jesus para buscar a sua igreja é mais um passo importante no cumprimento da profecia bíblica. O juízo de Deus está determinado sobre a humanidade. O arrebatamento da igreja é o escape determinado por Deus para que o seu povo seja livre do sofrimento que há de vir sobre toda a terra.

E, como não poderia deixar de ser, a vida eterna é o resultado final de uma vida em comunhão com Deus e, respectivamente, com todos aqueles que creem e reconhecem a soberania do Senhor Jesus Cristo. Para os que se perdem, a vida eterna é a separação definitiva de Deus, mas para os que estão salvos, é a recompensa final após uma vida de fé e obediência aos preceitos da santa Palavra.

Por fim, vale dizer que estes são os três pilares da fé cristã que, inclusive, estão presentes no credo doutrinário das Assembleias de Deus. São neles que a igreja deve estar firmada a fim de que seja fortalecida e edificada doutrinariamente à espera do grande Dia da Vinda do Senhor.


I - SUA RESSURREIÇÃO E ASCENSÃO
O evento da ressurreição de Cristo é a ratificação da obra de salvação anunciada pelos profetas no Antigo Testamento. Prestes a morrer na cruz, o Senhor Jesus disse: "Está consumado" (Jo 19.30). Nosso Mestre terminou a obra para a qual foi designado a cumprir.

A ressurreição de Jesus Cristo, no domingo pela manhã, foi a vitória mais importante, haja vista que se assim não ocorresse, toda a obra realizada pelo Mestre ao longo dos três anos de ministério, os milagres operados, a escolha dos discípulos e, até mesmo, a sua própria morte sobre a cruz, seriam insuficientes. A obra de Deus estaria incompleta se não houvesse a ressurreição.

Nas cartas paulinas é notório o destaque dado por Paulo à mensagem da ressurreição, de modo que a igreja considera este ponto como um dos principais pilares da fé. A obra da ressurreição não deve ser apenas considerada um marco, mas também, doutrinariamente, é o aperfeiçoamento da fé cristã.

Da mesma maneira a ascensão de Jesus ao céu é outro assunto que merece destaque. Este é o último ato público do ministério do Salvador (At 1.2-11). Aos seus discípulos, Ele deixou a promessa de que voltaria para buscá-los a fim de morarem eternamente em um lugar bem melhor (cf. Jo 14.2,3). Por fim, a sua ressurreição é a prova viva de que Ele é o Salvador do mundo e que veio para nos permitir alcançar a vida eterna.

1. A vitória mais importante

A ressurreição do Senhor Jesus Cristo é a vitória definitiva sobre o pecado e a morte. Tendo em vista que o salário pago aos pecadores por conta da desobediência aos preceitos da vontade de Deus é a morte (cf. Rm 6.23), a graça de Deus se fez presente, ratificando a vitória de Cristo por meio da ressurreição ao terceiro dia pela manhã (cf. Mt 28.1-10).

De acordo com a Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2017, p. 62):

A morte e ressurreição de Jesus são os principais elementos que distinguem o cristianismo de todas as religiões da terra, pois Jesus, o seu fundador, vive para sempre: "havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre Ele" (Rm 6.9). A sua morte vicária seria destituída de significado teológico se ele tivesse permanecido na sepultura. Aquele corpo que foi crucificado não pôde ficar na sepultura. Essa ressurreição significa a glorificação e exaltação de Jesus, a vitória sobre Satanás, sobre o pecado, sobre a morte e sobre o inferno.

Não existiu antes, nem existirá depois, acontecimento tão relevante para a fé cristã como o fato de Jesus ter ressuscitado dos mortos. Tendo em vista que a morte é resultado do pecado, em ntrapartida, a vida é a ausência de pecado e a comunhão plena com Deus. Portanto, Cristo não poderia ficar retido na morte, pois nEle não havia pecado algum (cf. At 2.24).


2. A ressurreição como pilar da fé cristã

O evento da ressurreição de Jesus Cristo é o principal pilar da fé cristã. Paulo destaca a mensagem da ressurreição ao escrever para a igreja de Coríntios (1 Co 15). Diga-se de passagem, há muitos que tentam negar que a ressurreição de Cristo, de fato, tenha ocorrido. Acerca disso, o apóstolo Paulo comenta: "Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados" (1 Co 15.16,17).

Nos dias de Paulo, alguns negavam a ressurreição corpórea de Cristo (v. 12). Respondendo, Paulo declara que se Cristo não ressuscitou, não há perdão, nem livramento do pecado. Fica claro que os que negam a realidade objetiva da ressurreição, estão negando totalmente a fé cristã. São falsas testemunhas que falam contra Deus e a sua Palavra. A fé que eles professam não tem valor, e, portanto, não são cristãos autênticos (STAMPS, 1995).

A temática da ressurreição não deve ser considerada apenas um fato de relevância espiritual, embora o seja de fato, mas também um importante aspecto doutrinário que serve de base para a pregação do evangelho. A mensagem da cruz não faria sentido se não houvesse a ressurreição e, portanto, este fato merece ocupar lugar de destaque no estudo da salvação.

3. De volta para casa

Após a ressurreição o assunto que finaliza a descrição sobre a estadia de Jesus aqui na terra é o momento da sua ascensão ao céu. A palavra ascensão, do latim, ascensionem, significa subida, elevação; é a subida corpórea do Cristo ressurreto aos céus após haver cumprido o seu ministério terreno. O fato, testemunhado por mais de quinhentos irmãos, deu-se no quadragésimo dia após o seu sacrifício no Calvário (ler 1 Co 15) (ANDRADE, 1996).

A convicção de que vamos ser levados para morar eternamente no céu está associada a dois argumentos básicos que norteiam a Segunda Vinda de Cristo a este mundo. Em primeiro lugar, está a promessa de que Jesus voltaria para buscar a sua Igreja. Durante o momento da sua ascensão, os anjos anunciaram aos discípulos: "Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir" (At 1.11). Ele prometeu voltar para reencontrar os seus servos.

O Senhor prometeu que estava indo preparar um lugar especial para os seus servos. Em Jo 14.1-3, Jesus reafirma o seu compromisso de que voltaria para buscá-los e levá-los a um lugar onde eles estariam em comunhão plena com o Pai, um lugar de conforto e paz onde não haveria mais tristeza ou dor.

Em segundo lugar está a afirmativa de que a sua ressurreição é a prova cabal de que Ele é o Salvador do mundo e que veio para nos permitir alcançar a vida eterna. Ao ressurgir no terceiro dia pela manhã o Senhor estava ratificando a sua missão. A prova mais viva de que Jesus, verdadeiramente, ressuscitou é a transformação de vida de milhares de cristãos espalhados pelo mundo inteiro, que até hoje testemunham as verdades do Reino Celestial.

II - O ARREBATAMENTO DA IGREJA


A promessa da Vinda do Senhor para buscar a sua igreja é cumprimento da profecia bíblica. Deus já determinou um Dia em que há de julgar a humanidade, trazendo condenação para todos os que rejeitarem a salvação disponível mediante a fé no sacrifício de seu Filho. Entretanto, para os salvos, a vinda do Senhor será uma ótima notícia, pois é o escape determinado por Deus para a sua Igreja a fim de que o seu povo seja livre do sofrimento que há de vir sobre toda a terra.

A compreensão de que Jesus virá buscar a sua igreja e livrá-la do sofrimento que há de vir sobre toda a terra é a nossa maior esperança. Nos Evangelhos, é possível encontrar uma série de discursos de Jesus que apontam os tempos do fim. Textos como Mateus 24.44; 25.13 e Marcos 13.32-37 registram o caráter repentino e imprevisível da Vinda do Senhor Jesus.

Da mesma forma, os textos paulinos também revelam aspectos importantes sobre como ocorrerá o arrebatamento da igreja, o encontro com o Senhor nos ares e o período da tribulação que há de vir sobre toda a terra. Os relatos de Paulo sobre o arrebatamento encontram-se registrados, principalmente, nas cartas aos Tessalonicenses (1 Ts 4.13-18; 2 Ts 2.1-12).

Vale ressaltar que estes eventos, embora relatados de forma explícita em o Novo Testamento, já estavam implícitos na mensagem de Deus no Antigo Testamento. Quando Deus anunciou o dilúvio, ao prover o cordeiro no lugar de Isaque, quando livrou o seu povo da escravidão no Egito e o colocou numa "terra que mana leite e mel" e, em outras ocasiões, é possível ver Deus presente, fazendo valer a sua Palavra, pré-anunciando que chegaria um dia em que Ele haveria de reunir o seu povo em um único lugar.

1. Os argumentos presentes nos Evangelhos em favor do arrebatamento

A palavra "arrebatamento", do grego harpagêsometha, diz respeito à retirada brusca, inesperada e sobrenatural da Igreja deste mundo, a fim de que se encontre com o Senhor Jesus nos ares, por ocasião de sua Segunda Vinda. Este acontecimento, ao qual dedica o Novo Testamento dois capítulos (1 Co 15 e 1 Ts 4), constituir-se-á num dos maiores milagres de todos os tempos, por abranger diversos fatos espantosos, inexplicáveis e incompreensíveis à lógica meramente humana (ANDRADE, 1996).

Nos Evangelhos, há registros que comprovam a iminência do arrebatamento da igreja. Jesus anunciou a sua Segunda Vinda por meio de parábolas, mas também foi claro e contundente no sermão profético. Em Mateus 24.44, o Senhor alerta os seus discípulos quanto à vigilância: "estai vós apercebidos também, porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis". A advertência premente de Cristo no sentido de sempre estarmos espiritualmente prontos para sua vinda repentina, isto é, o arrebatamento, aplica-se a todos os crentes antes da tribulação (cf. Mt 24.15-29). E um motivo de perseverança na fé (STAMPS, 1995).

Em Marcos 13.32-37, Jesus conta a história de um homem que, partindo para fora da terra, deixou seus servos com a incumbência de realizar cada um a sua obra, e ordenou ao porteiro que vigiasse. Ao fim da história, o Mestre alerta: "Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã". A palavra "estar alerta" exige vigilância. Durante o tempo que aguardamos o grande dia, nós crentes, semelhantes aos servos de uma casa do século I, temos a nossa "tarefa individual atribuída" (13.34). O fato é que nós não sabemos o momento em que o "quando" de Deus será transformado em "agora". O quando de Deus pode ser hoje, amanhã, a qualquer momento. Mas essas opções não fazem diferença para nós, de modo algum. O importante é que esperemos ansiosamente, que vigiemos, usando cada dom e oportunidade para servir ao Senhor (RICHARDS, 2007).

2. Os pressupostos paulinos em favor do arrebatamento
Semelhantemente, encontramos nos textos paulinos, várias passagens que tratam a respeito do arrebatamento da igreja. Paulo aponta com clareza de que maneira ocorrerá o encontro da igreja com o Senhor nos ares e assinala para um período de tribulação que transcorrerá sobre a terra em concomitância com a atuação revelada do anticristo, o homem da iniquidade (1 Ts 4.13-17; 2 Ts 2.3-10).

Na Primeira Carta endereçada aos Tessalonicenses, Paulo anuncia que "o mesmo Senhor descerá do céu" (v. 16). Esta passagem pode ser compreendida como uma palavra de ordem. De acordo com Lawrence O. Richards (2007, p. 460):

Keleusmati é um termo militar, e enfatiza a natureza da autoridade da palavra pela qual Jesus chamará os crentes mortos de volta à vida. Como João 5.25 diz, "Os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão". Naquela mesma hora a voz do arcanjo e o toque da trombeta de Deus servirão como um eco para a ordem de Cristo (Mt 24.31; Ap 11.15). E os mortos responderão. Paulo escreve que "os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro", e, "depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados... a encontrar o Senhor nos ares" (4.16,17).

Da mesma maneira, Paulo anuncia em sua Segunda Carta que o evento do arrebatamento será sucedido pela manifestação do Anticristo, o homem da iniquidade que há de se levantar contra tudo o que está relacionado a Deus. Entretanto, Paulo ressalta que esta manifestação será marcada por sinais específicos que confirmam que o tempo de todas estas coisas se cumprirem está próximo. Um desses sinais marcantes é a apostasia. Certos expositores afirmam que o termo apostasia (gr. apostasia) se refere principalmente a uma revolta de todos contra Deus e seu domínio no mundo em geral; outros dizem que é a apostasia dentro da igreja (BEACON, 2006).

III - VIDA ETERNA COM CRISTO

A vida eterna é o ponto mais elevado da vida cristã e o resultado final de uma vida de comunhão contínua com Deus neste mundo. Por seu amor e graça, todos os que creem podem ser salvos e desfrutar da alegria e paz eternas ao lado do Salvador. Ao contrário do que muitos pensam, a eternidade será um convívio eterno de celebração e gratidão a Deus por seu amor e graça, um estado de plenitude, fruto da restauração da comunhão plena que havia sido perdida no Éden.

A salvação é fruto do amor e graça divinos, e nunca foi resultado dos esforços humanos para fazer obras de caridade que justificassem a salvação. O objetivo central do Cristianismo é o desenvolvimento de um relacionamento contínuo e saudável com Jesus e, por consequência, com todos aqueles que reconhecem a soberania divina do Mestre.

A vida na eternidade não será inerte ou enfadonha como alguns podem pensar, muito pelo contrário, será dinâmica, haja vista que a alegria e paz se farão presentes. Serão momentos eternos de gratidão e celebração a Deus por tão maravilhosa salvação. A Escritura revela que viveremos conscientemente nos céus, sabendo quem é Jesus e nos lembraremos do que Ele fez por nós (cf. Mt 25.36-40).

Vale ressaltar que a eternidade é a recompensa final para as decisões que a pessoa fez aqui nesta esfera terrena. Para os que se perdem a vida eterna é a separação definitiva de Deus, no lago de fogo, mas para os que estão salvos é o galardão de uma vida de fé e obediência aos preceitos da santa Palavra. Viver pela fé com os olhos na eternidade é preservar a esperança da restauração completa da comunhão antes perdida no Éden e a expectativa da liberdade completa ao lado de Deus.

1. Salvos pelo amor a Deus e não pelo medo do inferno

A salvação é a oferta de Deus à humanidade por intermédio do sacrifício de Jesus Cristo. "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (cf. Jo 3.16). A Bíblia é contundente em afirmar que a salvação é um dom de Deus, não vem das obras para que ninguém se glorie (cf. Ef 2.8,9). Porque fomos criados por Deus para praticar as boas obras que Ele mesmo preparou para que as praticássemos (v. 10).

Outro aspecto importante no tocante à salvação é a motivação que nos leva a desejá-la. Há pessoas que desejam ir ao céu não porque entenderam o amor de Deus e desejam se arrepender de seus pecados. Antes, a única motivação é porque ouviram dizer que aqueles que não creem em Deus vão para o inferno. Quando a Bíblia se refere ao inferno, muitas vezes, diz respeito ao local que abriga as almas dos iníquos até que se instaure o Juízo Final. Pela escatologia bíblica, o inferno (gr. hades) é apenas um lugar intermediário. Dali, os ímpios hão de ressurgir para serem lançados no lago de fogo (Ap 20.14) (ANDRADE, 1996).

A Escritura revela que Deus esquadrinha o coração do homem e prova os pensamentos (cf. Jr 17.10). Não há nada ocultos aos olhos do Senhor, Ele sabe quais sãos as intenções do coração de cada ser humano. Portanto, o medo do inferno não é uma boa justificativa para ser salvo. É preciso crer e confessar Jesus Cristo como único e suficiente Salvador (cf. Rm 10.10). O que livra o pecador do inferno não é o medo, e sim a graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo (cf. Ef 2.8).

2. A celebração eterna

A vida na eternidade é uma verdadeira celebração a Deus como forma de agradecimento por sua maravilhosa graça que nos trouxe salvação. Será, finalmente, um tempo de paz e alegria que não terá fim. Aos que creem no sacrifício de Jesus, será possível desfrutar da plenitude da vida eterna ao lado do Criador.

Há muitos que pensam que a vida eterna será lugar onde viveremos num estado de plena inconsciência e inércia ou como se tudo o que somos hoje — memória, sentimentos, identidade — fossem completamente apagados da nossa memória. Muito pelo contrário, a Escritura revela que viveremos conscientemente nos céus, sabendo quem é Jesus e nos lembraremos do que Ele fez por nós.

Em Mateus 25.36-40, está escrito que o Senhor trará à nossa memória todas as vezes que agimos com benignidade e misericórdia em relação ao próximo, confirmando assim que haverá uma consciência das ações praticadas em vida. Os efeitos do pecado, tais como a tristeza, a dor, a mágoa e a morte (7.16,17; Gn 3; Rm 5.12; Is 35.10; 65.19), já se foram para sempre, porque as coisas más do primeiro céu e da primeira terra foram-se completamente. Os crentes apenas se lembrarão das coisas santas que valem a pena ter na memória; decerto não se lembrarão do que lhes causaria tristeza (Is 65.17) (STAMPS, 1995).

Certamente, não será um lugar de lembranças ruins, e sim de boas recordações para os salvos, por saberem que apesar de tantas lutas e dores enfrentadas neste mundo, tais sofrimentos não foram páreos o suficiente para roubar deles a esperança da vida eterna.

3. O regresso ao estado de plenitude

A eternidade terá início no momento em que a humanidade há de receber a recompensa final por todas as decisões tomadas nesta esfera terrena. Para os que se perdem é a separação definitiva de Deus, no lago de fogo, mas para os salvos é apenas o início de uma nova vida ao lado do Criador.

Viver eternamente com Deus é o estado de plenitude planejado por Deus para o homem no jardim do Eden. O pecado fez com que a humanidade perdesse a comunhão plena com o seu Criador. A restauração dessa comunhão é possível graças a fé em Jesus Cristo, pelo qual é possível alcançar a justificação e, por fim, a paz com Deus (cf. Rm 5.1,2).

O plano de reconciliação arquitetado por Deus trouxe para a humanidade uma nova oportunidade de ter acesso a bênçãos superiores que o Senhor havia disponibilizado no jardim do Éden. Mas não para por aí, pois Deus não somente concedeu a oportunidade de renovação da comunhão, como também concedeu ao ser humano, a graça de tornar-se herdeiro das riquezas celestiais eternas (cf. Rm 8.17).

Como afirma Stanley Horton (1996, p. 645):

Nossa salvação traz-nos a um novo relacionamento que é muito melhor do que aquele que Adão e Eva desfrutavam antes da queda. A descrição da nova Jerusalém demonstra que Deus tem para nós um lugar melhor do que o jardim do Éden, com todas as bênçãos do Éden intensificadas. Deus é tão bom! Ele sempre nos restaura a algo melhor do que aquilo que perdemos. Desfrutamos da "comunhão intensificada com o Pai, o Filho e o Espírito Santo e com todos os santos'. A vida na nova Jerusalém será emocionante. Nosso Deus infinito nunca ficará sem novas alegrias e bênçãos para oferecer aos redimidos.

Assim sendo, viver pela fé é alimentar a esperança de que não seremos confundidos quando o Senhor retornar para buscar a sua igreja, e desfrutaremos a liberdade completa ao lado de Deus. Por esse motivo, a igreja precisa guardar os preceitos da Palavra de Deus com temor e tremor, a fim de que aquele dia não seja um dia de surpresa, e sim um momento de alegria esperado pelos santos servos de Deus. Para tanto, a Bíblia orienta aos seus servos que ocupem a mente com as coisas que são de cima, isto é, dos céus, e não com as coisas pertinentes a esta terra (cf. Fp 4.8; Cl 3.1-4).

CONCLUSÃO

O mais importante no contexto da doutrina sobre a Segunda Vinda do Senhor é não esquecer que a centralidade da fé cristã encontra-se no ato da ressurreição de Jesus Cristo. Sua ressurreição é o ápice do projeto divino para a humanidade. Sem ela a salvação não seria possível, visto que o processo que se inicia na sua morte não estaria concluído. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1 Co 15.57). Ele venceu a morte e, por causa disso, pode da mesma maneira nos proporcionar a entrada na vida eterna.

Sendo assim, resta à sua igreja, aguardar esperançosamente o grande Dia da sua Vinda. Ele virá com o seu poder e arrebatará os salvos. Este será o grande livramento do Senhor aos seus servos. Com esta palavra a igreja deve estar consolada e confiante (cf. 1 Ts 4.18).

Adaptação de: Jesus Cristo: Filho do Homem, Filho de Deus. Artigo: Thiago Santos| Editora: CPAD |


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